Fumacê e FOG: um método pensado para insetos, não para desinfetar superfícies
O fumacê, também chamado de FOG, consiste em pulverizar substâncias químicas em baixa dosagem dentro de uma área delimitada. Ele foi criado para atingir de forma letal o inseto transmissor de arboviroses, em pleno voo. O efeito, porém, é passageiro e pouco específico, o que faz dele uma escolha inadequada quando o objetivo é desinfetar ambientes.
Mesmo sem recomendação da Anvisa, o método segue sendo usado
Na busca por soluções rápidas de "sanitização", shoppings, empresas, prefeituras e alguns espaços públicos passaram a recorrer ao fumacê ou FOG. Isso acontece apesar de a Anvisa ter publicado nota contrária ao uso desse tipo de procedimento para desinfecção.
O contexto ajuda a entender o movimento: diante da necessidade de combater e controlar a disseminação do novo coronavírus, muitas pessoas e organizações aceleraram pesquisas e ajustaram processos para permitir a retomada das atividades com segurança, usando desinfetantes, antissépticos, desodorizantes e esterilizantes. No meio dessa corrida, o fumacê ganhou espaço, mesmo sem ser o recurso indicado.
Por isso, vale reforçar: a sanitização de ambientes deve ficar a cargo de empresas especializadas, com equipe técnica qualificada e treinada no uso correto de desinfetantes.
O que diz a Nota Técnica da Anvisa
O documento de referência é a Nota Técnica nº 26/2020/SEI/COSAN/GHCOS/DIRE3/ANVISA. Em resumo, ela aponta materiais e equipamentos que não devem ser usados para desinfetar superfícies e objetos:
- Vassouras e esfregões secos, porque espalham no ar partículas contaminadas, que acabam pousando em outras superfícies e objetos;
- Nebulizadores e termonebulizadores, aparelhos usados contra insetos e pragas que geram fumaça de inseticidas ou agrotóxicos;
- Frascos de spray com propelente, que devem ser substituídos por frascos de aperto simples.
Por que a fumaça não resolve
Os nebulizadores e termonebulizadores foram feitos para aplicações espaciais, ou seja, para atingir insetos voando. As partículas que eles liberam são finíssimas, se dispersam ou derivam com facilidade e podem evaporar antes mesmo de tocar a superfície que precisaria ser desinfetada.
O que explica a popularidade da técnica, segundo a nota, é o impacto visual e a rapidez: o grande volume de fumaça passa a sensação de que todo o ambiente foi tratado, o que não corresponde à realidade.
O que garante uma boa sanitização
A Anvisa destaca que a qualidade da aplicação de sanitizantes depende de vários fatores combinados:
- Preparação criteriosa e higienização prévia das superfícies e locais;
- Escolha adequada de equipamentos e produtos;
- Tempo de exposição correto ao sanitizante;
- Medidas de controle após a sanitização.
A nota também orienta que sejam definidos protocolos rígidos e contínuos, com atribuições claras para quem contrata e para quem executa o serviço.
Atenção redobrada na hora de contratar
Síndicos, gestores públicos, diretores de escolas, de unidades de saúde e de empresas precisam ser cuidadosos ao escolher quem fará a desinfecção ou a sanitização dos ambientes. Contratar pessoas sem o treinamento devido pode gerar responsabilização do contratante pelos danos e prejuízos à saúde, além de criar uma falsa sensação de proteção.
(Fonte: ANVISA)
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