Quem tem cachorro ou gato sabe como as pulgas podem ser persistentes. No Brasil, a transmissão de doenças por esses parasitas é rara, embora possível; o que mais incomoda, na maioria dos casos, são as picadas, que geram coceira e desconforto tanto nos animais quanto nas pessoas da casa.
Existem muitas espécies, mas boa parte delas tem de 2 a 3 mm e coloração avermelhada ou castanha. Conheça as mais comuns e entenda por que elas não são um problema exclusivo de quem tem pet.
As espécies de pulga mais comuns
Pulga-do-gato (Ctenocephalides felis)

Como reconhecer
- Não tem asas e mede de 2 a 3 mm.
- Corpo achatado dos lados.
- Patas longas, próprias para saltar.
- Cerdas rígidas na parte de trás da cabeça e no pronoto, o que a diferencia da maioria das outras pulgas de animais domésticos.
Desenvolvimento
- Passa por quatro fases: ovo, larva, pupa e adulto. Os ovos são pequenos e brancos, e o ciclo completo pode levar de duas semanas a oito meses.
- O adulto percebe vibração, pressão, calor, ruído e dióxido de carbono, sinais de que há uma possível refeição de sangue por perto.
- Só com sangue humano, a pulga-do-gato não consegue completar o ciclo de vida.
Comportamento
- Muitas vezes só descobre se o hospedeiro serve depois de picá-lo; se não servir, vai embora.
- Instala-se no lugar onde o animal costuma descansar, como a caminha do gato, e é ali que chega à fase adulta.
Pulga-do-cão (Ctenocephalides canis)

Como reconhecer
- O adulto é preto-acastanhado e fica preto-avermelhado depois de se alimentar de sangue.
- Mede de 3 a 4 mm.
- A larva não tem pernas, é cor de creme e pode chegar a 5 mm.
Desenvolvimento
- Também passa por ovo, larva, pupa e adulto.
- As larvas são maiores que os adultos e se alimentam de restos de sangue seco, fezes e matéria orgânica do ambiente infestado.
- O corpo achatado facilita o deslocamento entre os pelos, e os espinhos voltados para trás ajudam a pulga a se segurar mesmo quando o animal é escovado.
Comportamento
- O adulto se alimenta de sangue de cães e gatos e, de vez em quando, pica pessoas.
- Transmite a tênia do cão, Dipylidium caninum, que também pode afetar o ser humano.
- Salta cerca de 15 cm, o que permite trocar de hospedeiro e até infestar a grama do quintal.
- Nos animais, a infestação provoca coceira, vermelhidão, queda de pelo, infecções de pele e alergia à saliva da pulga.
Pulga-das-aves (Ceratophyllus gallinae)

Como reconhecer
- Adultos em geral acastanhados, de 1 a 8 mm.
- Olhos e antenas visíveis; a boca aponta para baixo e é adaptada para perfurar a pele e sugar sangue.
- É a espécie mais frequente em aves como as galinhas.
Desenvolvimento
- Vive pouco tempo em ambientes internos e sempre em ninhos.
- Reproduz-se na época de nidificação, quando as aves e os filhotes garantem sangue com regularidade.
Comportamento
- Os adultos vivem no ninho e, quando as aves o abandonam, precisam achar outro hospedeiro.
- Se o ninho for usado de novo, as pupas se desenvolvem, os adultos acasalam e o ciclo recomeça.
- Multiplicam-se muito em galinheiros, aviários e criações.
Pulga-do-homem (Pulex irritans)

Como reconhecer
- Inseto sem asas, de cor preta a acastanhada.
- O adulto mede de 1 a 4 mm.
- Tem uma probóscide longa e fina, usada para perfurar a pele e sugar o sangue.
- Movimenta-se com saltos característicos.
Desenvolvimento
- A fêmea põe de 4 a 8 ovos depois de cada refeição de sangue, chegando a várias centenas ao longo da vida.
- Os ovos, claros, ovais e com cerca de 0,5 mm, não ficam presos ao hospedeiro: caem na cama ou no ninho.
- Depois das fases de larva e pupa, o adulto costuma surgir em uma ou duas semanas; em condições ruins, a fase de pupa pode durar até um ano.
Comportamento
- Costuma picar pernas e tornozelos, geralmente com 2 ou 3 picadas em sequência. A picada é sentida na hora e o incômodo pode durar até uma semana.
- Por circular entre hospedeiros, representa risco de transmissão de doenças.
- A Pulex irritans é vetor da Yersinia pestis, bactéria causadora da peste.
- Também aparece em animais como cães, ratazanas, porcos, veados e raposas.
Quem não tem pet também pode ter pulgas
São cerca de três mil espécies de pulgas no mundo, 59 delas encontradas no Brasil. Mesmo assim, ainda é comum achar que esses parasitas só aparecem por causa de cães e gatos, e isso não é verdade.
As pulgas têm preferência por mamíferos, e isso inclui as pessoas. A família Ceratophyllidae, por exemplo, costuma atacar roedores como o rato de esgoto, enquanto os morcegos são alvo da família Ischnopsyllidae. Marsupiais, cães, gatos e seres humanos são parasitados pelas famílias Rhopalopsyllidae, Vermipsyllidae e Pulicidae. As aves, com destaque para os pombos, sofrem com as Leptopsyllidae, e até insetos são parasitados por representantes da família Hystrichopsyllidae.
O risco à saúde vem de duas frentes: as pulgas são ectoparasitas, isto é, vivem do lado de fora do corpo do hospedeiro, e também funcionam como vetores biológicos de bactérias, protozoários e vermes. Ou seja, a presença de ratos ou pombos perto de casa já pode ser suficiente para trazer pulgas para dentro.
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